domingo, 28 de julho de 2013

TULIPA RUIZ (EFÊMERA-2010)

O AM vai deixar os clássicos um pouco de lado essa semana, para destacar um disco mais recente, que tem tudo para ser um futuro clássico. Estou falando do ensolarado "Efêmera- Tulipa Ruiz" . Lançado em Maio de 2010. Apesar do sucesso considerável, dois discos e críticas elogiosas de gente de peso, ao conversar com algumas pessoas sobre música, vi que muita gente ainda não conhece a menina flor. Vou tentar apresentá-la então. Tulipa Ruiz Chagas não é filha da poeta Alice Ruiz, como já esclareceu a própria Tulipa no ínicio da carreira. Sua herança artística veio do pai, o guitarrista Luiz Chagas, que tocava no Isca de Polícia, banda que acompanhava o genial Itamar Assumpção. Além do pai, Tulipa tem um irmão músico. Gustavo Ruiz já tocou com Mariana Aydar e Trash Pour 4 (Uma banda que por sinal, eu gosto muito.)

Gustavo assina a produção dos dois trabalhos da irmã, além de integrar a banda de Tulipa ao lado de seu pai Luiz. Tulipa nasceu em Santos, mas criou-se em São Lourenço- MG. Formada em comunicação e multimeios pela PUC-SP, atuou como Jornalista até 2008. É também ilustradora e já fez desenhos para livros infantis, agendas, cartazes de show e capas de discos, incluindo Efêmera, onde deixou registrado seu talento como desenhista. O encarte do disco conta com ilustrações de alguns amigos de Tulipa (Tiê, Karina Bhur, Romulo Fróes, Ná Ozzeti e etc.) Tropicalismo, Clube da Esquina e discretas pitadas de Vanguarda Paulista compõem o Pop Florestal de Tulipa (Gênero criado pela própria cantora, na dificuldade de definir seu estilo) Tulipa é assumidamente influenciada por cantoras como Joni Mitchell, Ná Ozetti, Baby do Brasil e Gal Costa.

É possível ouvir um pouco de cada uma delas em sua forma em sua forma de interpretar. Apesar das influências, a menina flor têm estilo e características que são só suas, muito importante num país de cantoras cada vez mais parecidas e de chatas modernosas, que fazem viagens de dificil assimilação para a maioria dos mortais. Efêmera apresenta um pop rock equilibrado, com letras simples, porém maduras e ricas de imagens instigantes, arranjos precisos e o canto macio, afinado e de agudos límpidos e bem dosados da menina flor. A faixa título "Efêmera" tem uma levada havaíana envolvente, e fala sobre momentos simples da vida, que são tão frágeis e impactantes ao mesmo tempo. O Rockinho Sessentista "Pontual" tem uma ótima linha de baixo. Nessa música, Tulipa aparece como a menina que tenta se organizar, mas chega sempre atrasada e nunca pega o filme do começo. 

"Pedrinho" é outro momento sessentista do disco. Segundo Tulipa, a música fala sobre dois homens, e isso é tudo que eu sei. Uma amizade colorida, talvez! (Mas isso é só uma interpretação pessoal. He He!) A faixa ainda conta com um coro formado por Leo Cavalcanti, Juliana Kehl, Mariana Aydar, Tatá Aeroplano e Tiê. Outro grande momento do disco é a fofísssima "Do Amor", que conta apenas com violão, guitarra e percussão na primeira parte, valorizando a voz bonita e agradável de Tullipa. Suaves pinceladas de teclado aparecem na segunda parte da canção. A música vai crescendo gradativamente até a entrada completa da banda ao final, onde Tulipa explora seus ótimos recursos vocais em agudos emocionantes.

Na urbana "Às vezes" (Música de Luiz Chagas) Tulipa dá um rolê pela Augusta. "A swingada, bucólica e tropicalista "A Ordem das árvores" é o momento mais Gal Costa do disco. "Da Menina" é o momento Rita Lee do álbum. Uma letra simples, que descreve com charme a transformação de uma menina em mulher. A deliciosa "Só sei dançar com você" fecha essa ótima seleção, deixando a gente com gostinho de quero mais. Efêmera é dançante, feminino, tropicalista, mineiro, paulista, romântico, engraçado. Enfim ! Qualquer coisa, menos efêmero. 

Texto de 
Thiago Cardoso Sepriano

FAIXAS

01- Efêmera
02- Pontual
03- Do Amor
04- Pedrinho
05- A Ordem Das Árvores
06- Sushi
07- Brocal Dourado
08- Aqui
09- Às Vezes
10- Da Menina
11- Só Sei Dançar Com Você

OUÇA NA ÍNTEGRA


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domingo, 21 de julho de 2013

BEATLES (RUBBER SOUL-1965)

Esse disco é tão legal, que mais parece uma coletânea com todas aquelas músicas que você adora da sua banda favorita. Pois é! RUBBER SOUL (Lançado em Dezembro de 1965) é um desses discos que você ouve na íntegra três vezes ao dia sem enjoar. Essa obra prima dos BEATLES, produzida por GEORGE MARTIN, dá inicio de vez à fase mais madura, eclética e sofisticada dos Beatles, sutilmente anunciada em seu antecessor HELP! Nesse disco já estão bem nítidas todas as experimentações e utilização máxima dos recursos de gravação da época, que ficariam ainda mais evidentes em clássicos cultuados como "REVOLVER-1966" e o surrealista "SGT PEPPERS-1967" Eles tocaram para multidões histéricas, conheceram a maconha através de "BOB DYLAN", lançaram dois filmes e ainda inventaram o videoclipe. Antes desse álbum, a Betlemania já havia virado o mundo de cabeça pra baixo. Parecia que os Fab Four não tinham mais nada a fazer, além de se acomodar e gozar do sucesso conquistado, até ele acabar.

Mas a banda não se acomodou, lançando um disco artisticamente mais inquieto e inventivo que os anteriores. Provar que eram bons no que faziam eles já tinham provado, agora provariam que além de ótimos, seriam eternos. As quatro caras fechadas na foto da capa, demonstram que a banda estava se desvencilhando do rótulo de garotos comportados que rivalizavam com os Bad Boys dos Stones. Aliás, a história dessa capa é bem interessante. Após uma sessão de fotos no jardim da casa de John, o fotográfo, designer e produtor da capa "ROBERT FREEMAN" utilizava uma cartolina para fazer projeções das imagens fotografadas em um slide, deixando-as no tamanho da capa. Num breve momento de distração, a cartolina escorrega das mãos de Robert e uma das imagens aparece distorcida. A banda pira no efeito acidental, e escolhe imediatamente aquela imagem levemente distorcida para a capa, que pela primeira vez não traz o nome da banda, mas apenas o título do disco "RUBBER SOUL-ALMA DE BORRACHA"

Foram lançadas mais duas músicas num compacto, além das 14 do álbum. "DAY TRIPPER" e "WE CAN WORK IT OUT", gravaram também o que seria a primeira música instrumental dos Beatles "12 BAR ORIGINAL", que foi excluída. O lançamento Americano saiu com o mesmo nome do Britânico, porém com uma seleção de músicas diferente. O lançamento americano trazia duas faixas do anterior Help!, e o título em destaque na capa aperecia em outra cor.O disco abre com a quentíssima "DRIVE MY CAR", que tem uma ótima linha de baixo no estilo de "RESPECT DE OTIS REDDING", também gravada por "ARETHA FRANKLIN", sugestão de George que Paul acatou. Na balada folk indiana "NORWEGIAN WOOD" George toca cítara, instrumento que conheceu durante as filmagens de Help!. Além de adotar o instrumento para sua música, George assimilou a cultura indiana para sua vida também. John dizia que a letra dessa música era sobre uma pulada de cerca, na época em que ainda era casado com "CYNTHIA LENNON".

Outro grande momento do disco é a belíssima "MICHELLE", com trechos em francês, inspirada nas festas que John e Paul frequentavam na adolescência, onde a cultura francesa era marcante. Músicas como "IN MY LIFE" e NOWHERE MAN" demonstram a notável evolução e maturidade de John como letrista. Em "NOWHERE MAN", John aparece desconfortável e deslocado, apesar de todo o sucesso. Destaco aqui um trecho que expressa bem a densidadade emocional, agora presente nas letras de John: "Ele é um autêntico homem de lugar nenhum. Sentado em sua terra de lugar nenhum. Fazendo todos os seus planos inexistentes para ninguém." "RUBBER SOUL" é delicado, vibrante, musicalmente rico, lindo! Depois dele, Os Beatles e o mundo da música pop nunca mais foram os mesmos.


Texto  de
Thiago Cardoso Sepriano

FAIXAS

01- Drive My Car
02- Norwegian Wood (This Bird Has Flown)
03- You Won't See Me
04- Nowhere Man
05- Think for Yourself
06- The Word
07- Michelle
08- What Goes On
09- Girl
10- I'm Looking Through You
11- In My Life
12- Wait
13- If I Needed Someone
14- Run for Your Life


OUÇA NA ÍNTEGRA

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http://www.4shared.com/rar/CziVWwR0/1965_-_Rubber_Soul-_The_Beatle.html?

domingo, 14 de julho de 2013

RITA LEE E TUTTI FRUTTI (FRUTO PROIBIDO- 1975)

"Ele me foi entregue num papel azul, lindo, aquele quadradão fininho, com o peso ideal, verdadeiro passaporte da imaginação. O primeiro vinil a gente nunca esquece! Rasguei o papel sem piedade, como faço até hoje. E lá estava ela, plácida, num vestido claro de caimentos vários, sentada numa poltrona, cigarrilha na mão direita, sandália amarrada na perna e o pé pousado sobre um teclado.Com aquele olhar de flecha certeira, que já conhece bem seu alvo"

(Zélia Duncan- Sobre o disco Fruto Proibido)


Clássico da Música Brasileira e principalmente do Rock Nacional. "FRUTO PROIBIDO" gravado em Abril de 1975  no estúdio Eldorado em São Paulo, é o segundo trabalho da parceria "RITA LEE E TUTTI FRUTTI" e passa longe das cobeçudices psicodélico tropicalistas dos Mutantes, ainda presentes nos primeiros vôos solos de Rita "BUILD-UP- 1970 e HOJE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DA SUA VIDA- 1972". Esse disco aposta na pegada blues-hard rock das grandes bandas da época, flertando ainda com uma leve pegada soul na swingada "ESSE TAL DE ROQUE ENROW", uma das três parcerias de Rita Lee e Paulo Coelho presentes no disco. A guitarra de "LUIS SÉRGIO CARLINI" come solta em solos e riffs poderosos, como o riff da faixa "LUZ DEL FUEGO", onde Rita homenageia a bailarina e precursora do naturismo no Brasil  "DORA VIVACQUA- LUZ DEL FUEGO." 

Nesse disco, Rita já expressa de forma ainda discreta  suas ideias e viagens sobre o universo feminino, presentes de forma mais explícita em seus trabalhos posteriores. O disco ainda conta com a participação do saudoso e polivalente instrumentista "MANITO" (INCRÍVEIS/ SOM NOSSO DE CADA DIA) tocando Sax na faixa "ESSE TAL DE ROQUE ENROW", Flauta em "PIRATARIA" e Orgão Hammond em "O TOQUE". A última faixa "OVELHA NEGRA" tornou-se clássico da MPB, e presença obrigatória em rodinhas de violão. A balada folk encerra com mais um dos solos marcantes de Carlini, fechando o disco em grande estilo. "FRUTO PROIBIDO" foi eleito o 16º melhor disco brasileiro , segundo a lista dos 100 melhores discos da Música Brasileira da "REVISTA ROLLING STONE". Um clássico indispensável em qualquer coleção e uma ótima aula de Rock and Roll.

Texto de
Thiago Cardoso Sepriano

FAIXAS

01- Dançar pra não dançar
02- Agora só falta você
03- Cartão Postal
04- Fruto Proibido
05- Esse tal de Roque Enrow
06- O Toque
07- Pirataria
08- Luz del Fuego
09- Ovelha Negra

OUÇA NA ÍNTEGRA


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http://www.4shared.com/rar/Lt51CjTF/_1975__fruto_proibido__ria_lee.html?

domingo, 7 de julho de 2013

APRESENTAÇÃO DO BLOG

Meu nome é Thiago Cardoso Sepriano, criador do blog "ASPIRINA MUSICAL". Não sou músico, jornalista nem crítico musical, apenas um apaixonado por música. Por não ser um profissional da área, me dou a liberdade de utilizar linguagem simples para falar sobre música.
Procuro sempre fazer uma boa pesquisa antes das postagens, mas como nada é perfeito, posso passar sem querer uma informação errada. Críticas construtivas e boas sugestões serão bem-vindas. Críticas negativas e hostis serão ignoradas na medida do possível, mas dependendo do dia, responderei à altura, pois respeito é bom e todo mundo gosta.

Esse é o Blog "ASPIRINA MUSICAL"

SEJAM BEM-VINDOS !