"Blue foi um momento decisivo de muitas maneiras. No Blue, quase não há uma nota desonesta nos vocais. Naquela época da minha vida, não possuía defesas pessoais. Me sentia como papel celofane num maço de cigarros. Sentia como se não tivesse segredos do mundo, e não pudesse fingir que minha vida era forte. Mas a vantagem disso na música era de que não havia defesas ali também”.
(Joni Mitchell sobre o disco Blue)
Infelizmente, a densa obra da Canadense Roberta Joan Anderson "Joni Mitchell" não é muito comentada no Brasil, mas sua arte influenciou muitos artistas que são queridinhos do público Brasileiro. Alanis Morissete e Morissey são apenas dois dos vários fãs famosos de Joni, e que ajudaram a garantir o reconhecimento de sua obra por aqui. Renato Russo também contribuiu muito para a divulgação da obra de Mitchell em nosso país. A versão de Renato para The Last Time I Saw Richard, gravada no Acústico MTV Legião Urbana, aguçou a curiosidade de muitos legionários sobre Joni. Essa canção encerra o álbum que estamos destacando hoje. Blue, lançado em Junho de 1971 é considerado pelos fãs e crítica como o o melhor trabalho da Cantora, compositora, poetisa, instrumentista e pintora Joni Mitchell.
Sempre presente nas listas dos melhores álbuns de importantes revistas de música, em 2006 foi listado pela revista americana Time como um dos 100 melhores álbuns de todos os tempos, foi eleito também o trigésimo melhor álbum na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone. Antes de Blue, Joni já tinha uma carreira de muito sucesso, três discos, um Grammy Awards na categoria Melhor Artista Folk e um convite para tocar no Festival de Woodstock. Infelizmente, Joni cancelou sua participação no Festival, pois seu empresário temia que ela perdesse uma participação no programa de TV The Dick Cavett Show.
Mesmo não participando do Festival, Mitchell tem uma canção que carrega o nome do mesmo, uma de suas favoritas, por sinal. Mas a agenda abarrotada, apresentações lotadas, obrigações com gravadora, empresário e etc. Tudo isso começou a pesar demais para uma jovem de 27 anos, que parecia cada vez mais desconfortável com tudo aquilo. Fora isso, Mitchell ainda tinha que lidar com o término de um relacionamento duradouro com o músico Graham Nash do grupo Crosby, Stills, Nash e Young. Confusa e sufocada, Mitchell cancela boa parte de sua agenda, mudando-se para uma casinha nas montanhas, onde se isola do mundo.
O resultado dessas férias foram as canções de Blue, uma espécie de diário musical onde Joni exorciza seus fantasmas. Blue é um disco tristíssimo, um registro honesto das dores e incertezas de Mitchell naquela época. Apesar da melancolia, a tristeza do disco não é pesada. A delicadeza dos arranjos, das letras e da bela voz de Joni tornam o disco poético e envolvente. Blue é de uma tristeza tão bonita, que quase não dói. O disco conta com a participação de outros músicos fora Joni. "Stephen Stills (Baixo e Violão) James Taylor (Violão) Sneaky Pete Kleinow (Pedal Steel) e Russ Kunkel (Bateria) Mas pode-se dizer que o piano, o viõlão e a voz de J.M guiam a sonoridade do disco. Blue é essencialmente um disco de Folk Rock, apesar de flertar discretamente com o Jazz, influência que Joni desenvolveria melhor posteriormente.
Na primeira faixa All I Want, Joni toca Dulcimer, instrumento medieval de percussão que possui cordas. A batida da música é animadinha! A letra fala sobre as inquietações de Joni, sua sede de liberdade e busca de identidade. My Old Man é o primeiro momento piano e voz do disco. Outro grande momento piano e voz é a fortíssima faixa título Blue, onde Joni canta "Canções são como tatuagens." O piano solitário de JM marca presença novamente na belíssima River, uma das minhas favoritas. Reflexão natalina, onde Joni canta novamente seu desconforto existencial, solidão e culpas.
Little Green, composta em 1967 é a canção mais antiga do álbum, mas se encaixou perfeitamente ao tracklist deprê de Blue. A letra fala sobre a filha que Joni deu para adoção. A Case of you é mais um belo momento de ambiguidade poética do disco. Destaco aqui esses belos versos: “Sou uma pintora solitária. Eu vivo numa caixa de tintas, sendo assombrada pelo diabo. E sendo atraída pelos que não têm medo.”
O disco ainda conta com as ótimas California, This Flight Tonight, a animadinha "Carey" e a já citada "The Last Time I Saw Richard. Solidão, amores, desilusões, arrependimentos. Blue é um disco confessional e marcante, onde Joni fala de si, mas ao mesmo tempo fala de todos nós também. Um trabalho musical primoroso e sincero, onde a tristeza se destaca como uma ferramenta tão ou mais importante que a alegria na busca de identidade e amadurecimento.
Texto de
Thiago Cardoso Sepriano
FAIXAS
01- All I Want
02- My Old Man
03- Little Green
04- Carey
05- Blue
06- California
07- This Flight Tonight
08- River
09- A Case Of You
10- The Last Time I Saw Richard
OUÇA NA ÍNTEGRA
(Joni Mitchell sobre o disco Blue)
Infelizmente, a densa obra da Canadense Roberta Joan Anderson "Joni Mitchell" não é muito comentada no Brasil, mas sua arte influenciou muitos artistas que são queridinhos do público Brasileiro. Alanis Morissete e Morissey são apenas dois dos vários fãs famosos de Joni, e que ajudaram a garantir o reconhecimento de sua obra por aqui. Renato Russo também contribuiu muito para a divulgação da obra de Mitchell em nosso país. A versão de Renato para The Last Time I Saw Richard, gravada no Acústico MTV Legião Urbana, aguçou a curiosidade de muitos legionários sobre Joni. Essa canção encerra o álbum que estamos destacando hoje. Blue, lançado em Junho de 1971 é considerado pelos fãs e crítica como o o melhor trabalho da Cantora, compositora, poetisa, instrumentista e pintora Joni Mitchell.
Sempre presente nas listas dos melhores álbuns de importantes revistas de música, em 2006 foi listado pela revista americana Time como um dos 100 melhores álbuns de todos os tempos, foi eleito também o trigésimo melhor álbum na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone. Antes de Blue, Joni já tinha uma carreira de muito sucesso, três discos, um Grammy Awards na categoria Melhor Artista Folk e um convite para tocar no Festival de Woodstock. Infelizmente, Joni cancelou sua participação no Festival, pois seu empresário temia que ela perdesse uma participação no programa de TV The Dick Cavett Show.
Mesmo não participando do Festival, Mitchell tem uma canção que carrega o nome do mesmo, uma de suas favoritas, por sinal. Mas a agenda abarrotada, apresentações lotadas, obrigações com gravadora, empresário e etc. Tudo isso começou a pesar demais para uma jovem de 27 anos, que parecia cada vez mais desconfortável com tudo aquilo. Fora isso, Mitchell ainda tinha que lidar com o término de um relacionamento duradouro com o músico Graham Nash do grupo Crosby, Stills, Nash e Young. Confusa e sufocada, Mitchell cancela boa parte de sua agenda, mudando-se para uma casinha nas montanhas, onde se isola do mundo.
O resultado dessas férias foram as canções de Blue, uma espécie de diário musical onde Joni exorciza seus fantasmas. Blue é um disco tristíssimo, um registro honesto das dores e incertezas de Mitchell naquela época. Apesar da melancolia, a tristeza do disco não é pesada. A delicadeza dos arranjos, das letras e da bela voz de Joni tornam o disco poético e envolvente. Blue é de uma tristeza tão bonita, que quase não dói. O disco conta com a participação de outros músicos fora Joni. "Stephen Stills (Baixo e Violão) James Taylor (Violão) Sneaky Pete Kleinow (Pedal Steel) e Russ Kunkel (Bateria) Mas pode-se dizer que o piano, o viõlão e a voz de J.M guiam a sonoridade do disco. Blue é essencialmente um disco de Folk Rock, apesar de flertar discretamente com o Jazz, influência que Joni desenvolveria melhor posteriormente.
Na primeira faixa All I Want, Joni toca Dulcimer, instrumento medieval de percussão que possui cordas. A batida da música é animadinha! A letra fala sobre as inquietações de Joni, sua sede de liberdade e busca de identidade. My Old Man é o primeiro momento piano e voz do disco. Outro grande momento piano e voz é a fortíssima faixa título Blue, onde Joni canta "Canções são como tatuagens." O piano solitário de JM marca presença novamente na belíssima River, uma das minhas favoritas. Reflexão natalina, onde Joni canta novamente seu desconforto existencial, solidão e culpas.
Little Green, composta em 1967 é a canção mais antiga do álbum, mas se encaixou perfeitamente ao tracklist deprê de Blue. A letra fala sobre a filha que Joni deu para adoção. A Case of you é mais um belo momento de ambiguidade poética do disco. Destaco aqui esses belos versos: “Sou uma pintora solitária. Eu vivo numa caixa de tintas, sendo assombrada pelo diabo. E sendo atraída pelos que não têm medo.”
O disco ainda conta com as ótimas California, This Flight Tonight, a animadinha "Carey" e a já citada "The Last Time I Saw Richard. Solidão, amores, desilusões, arrependimentos. Blue é um disco confessional e marcante, onde Joni fala de si, mas ao mesmo tempo fala de todos nós também. Um trabalho musical primoroso e sincero, onde a tristeza se destaca como uma ferramenta tão ou mais importante que a alegria na busca de identidade e amadurecimento.
Texto de
Thiago Cardoso Sepriano
FAIXAS
01- All I Want
02- My Old Man
03- Little Green
04- Carey
05- Blue
06- California
07- This Flight Tonight
08- River
09- A Case Of You
10- The Last Time I Saw Richard
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