domingo, 18 de agosto de 2013

JONI MITCHELL (BLUE-1971)

"Blue foi um momento decisivo de muitas maneiras. No Blue, quase não há uma nota desonesta nos vocais. Naquela época da minha vida, não possuía defesas pessoais. Me sentia como papel celofane num maço de cigarros. Sentia como se não tivesse segredos do mundo, e não pudesse fingir que minha vida era forte. Mas a vantagem disso na música era de que não havia defesas ali também”.

(Joni Mitchell sobre o disco Blue)


Infelizmente, a densa obra da Canadense Roberta Joan Anderson "Joni Mitchell" não é muito comentada no Brasil, mas sua arte influenciou muitos artistas que são queridinhos do público Brasileiro. Alanis Morissete e Morissey são apenas dois dos vários fãs famosos de Joni, e que ajudaram a garantir o reconhecimento de sua obra por aqui. Renato Russo também contribuiu muito para a divulgação da obra de Mitchell em nosso país. A versão de Renato para The Last Time I Saw Richard, gravada no Acústico MTV Legião Urbana, aguçou a curiosidade de muitos legionários sobre Joni. Essa canção encerra o álbum que estamos destacando hoje. Blue, lançado em Junho de 1971 é considerado pelos fãs e crítica como o o melhor trabalho da Cantora, compositora, poetisa, instrumentista e pintora Joni Mitchell. 


Sempre presente nas listas dos melhores álbuns de importantes revistas de música, em 2006 foi listado pela revista americana Time como um dos 100 melhores álbuns de todos os tempos, foi eleito também o trigésimo melhor álbum na lista dos 500 melhores álbuns de todos os tempos da revista Rolling Stone. Antes de Blue, Joni já tinha uma carreira de muito sucesso, três discos, um Grammy Awards na categoria Melhor Artista Folk e um convite para tocar no Festival de Woodstock. Infelizmente, Joni cancelou sua participação no Festival, pois seu empresário temia que ela perdesse uma participação no programa de TV The Dick Cavett Show.

Mesmo não participando do Festival, Mitchell tem uma canção que carrega o nome do mesmo, uma de suas favoritas, por sinal. Mas a agenda abarrotada, apresentações lotadas, obrigações com gravadora, empresário e etc. Tudo isso começou a pesar demais para uma jovem de 27 anos, que parecia cada vez mais desconfortável com tudo aquilo. Fora isso, Mitchell ainda tinha que lidar com o término de um relacionamento duradouro com o músico Graham Nash  do grupo Crosby, Stills, Nash e Young. Confusa e sufocada, Mitchell cancela boa parte de sua agenda, mudando-se para uma casinha nas montanhas, onde se isola do mundo.

O resultado dessas férias foram as canções de Blue, uma espécie de diário musical  onde Joni exorciza seus fantasmas. Blue é um disco tristíssimo, um registro honesto das dores e incertezas de Mitchell naquela época. Apesar da melancolia, a tristeza do disco não é pesada. A delicadeza dos arranjos, das letras e da bela voz de Joni tornam o disco poético e envolvente. Blue é de uma tristeza tão bonita, que quase não dói. O disco conta com a participação de outros músicos  fora Joni. "Stephen Stills (Baixo e Violão) James Taylor (Violão) Sneaky Pete Kleinow (Pedal Steel) e Russ Kunkel (Bateria)  Mas pode-se dizer que o piano, o viõlão e a voz de J.M guiam a sonoridade do disco. Blue é essencialmente um disco de Folk Rock, apesar de flertar discretamente com o Jazz, influência que Joni desenvolveria melhor posteriormente.

Na primeira faixa All I Want, Joni toca Dulcimer, instrumento medieval de percussão  que possui cordas. A batida da música é animadinha! A letra fala sobre as inquietações de Joni, sua sede de liberdade e busca de identidade. My Old Man é o primeiro momento piano e voz do disco. Outro grande momento piano e voz é a fortíssima faixa título Blue, onde Joni canta "Canções são como tatuagens."  O piano solitário de JM marca presença novamente na belíssima River, uma das minhas favoritas. Reflexão natalina, onde Joni canta novamente seu desconforto existencial, solidão e culpas.
 Little Green, composta em 1967  é a canção mais antiga do álbum, mas se encaixou perfeitamente ao tracklist deprê de Blue. A letra fala sobre a filha que Joni deu para adoção. A Case of you é mais um belo momento de ambiguidade poética do disco. Destaco aqui esses belos versos: “Sou uma pintora solitária. Eu vivo numa caixa de tintas, sendo assombrada pelo diabo.  E sendo atraída pelos que não têm medo.” 
O disco ainda conta com as ótimas California, This Flight Tonight, a animadinha "Carey" e a já citada "The Last Time I Saw Richard. Solidão, amores, desilusões, arrependimentos. Blue é um disco confessional e marcante, onde Joni fala de si, mas ao mesmo tempo fala de todos nós também. Um trabalho musical primoroso e sincero, onde a tristeza se destaca como uma ferramenta tão ou mais importante que a alegria na busca de identidade e amadurecimento.

Texto de
Thiago Cardoso Sepriano

FAIXAS

01- All I Want
02- My Old Man
03- Little Green
04- Carey
05- Blue
06- California
07- This Flight Tonight
08- River
09- A Case Of You
10- The Last Time I Saw Richard

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ERASMO CARLOS (CARLOS, ERASMO-1971)

“Considero o Carlos, Erasmo minha estréia na música adulta, depois do prazeroso Bbea-a-bá da Jovem Guarda. Vários rumos musicais, incontáveis tendências melódicas e novos amigos músicos seriam um processo natural para minha evolução. O repertório foi intuitivo e os sons foram surgindo, dependendo do clima que cada canção sugerisse. Esse disco consolidou minha maturidade e me projetou para um mundo real, onde o sonho acordado ainda existia.”

(Erasmo Carlos- Sobre o disco Carlos, Erasmo)


Com o término da Jovem Guarda  muitos artistas ficaram orfãos e inseguros, com exceção de Roberto Carlos, que após um breve namorico com a Soul Music, encontrou-se na vida como o maior ídolo da música popular romântica do Brasil. Enquanto isso, outros ídolos da época apostavam em novas possibilidades musicais, fazendo um caminho mais alternativo. Artistas como Wanderléa, Eduardo Araújo, Vanusa e Erasmo Carlos deixaram de lado o iê iê iê bonitinho e bem comportado para se aventurar em outras praias musicais. Roberto adotou um estilo sério e adulto para interpretar suas canções, caindo pra sempre nos braços da fama. Enquanto isso, o tremendão caía nos braços do sexo, das drogas e do rock and roll.

O ótimo Erasmo Carlos e os tremendões (1970) já dava sinais dessa nova fase de Erasmo, uma pequena mostra do que o Tremendão apresentaria em seu próximo trabalho. Carlos, Erasmo (1971) é o disco Contracultura, Bicho Grilo, Samba Soul. Tropicalista e o diabo a quatro do tremendão. Canções existencialistas e melancólicas convivem pacificamente com canções ensolaradas e ripongas. Carlos, Erasmo é um disco 100% Erasmo Carlos, com todas as suas inquietações e contradições. A vírgula servia para enfatizar quem era o Carlos em questão. A foto da capa traz um Erasmo largadão, com chapéu riponga e camiseta sem mangas.

Carlos, Erasmo decreta definitivamente o fim da inocência  da Jovem Guarda na vida de Erasmo, um grito de liberdade mesmo. O disco abre com una faixa no melhor estilo Simonal. De noite na Cama, de Caetano Veloso, a música tem um clima de reunião de boteco sexta á noite, com um coro contagiante, riff de guitarra swingado, cuíca e berimbau. A balada Masculino Feminino traz um dueto com a cantora Marisa Fossa, e na minha opinião é o momento menos empolgante do disco, mesmo assim é uma boa canção. É Preciso dar um jeito meu amigo é uma balada soul bem pedrada da dupla Roberto e Erasmo, a letra é bem deprê, mas tem um refrão forte e contestador: "É preciso dar um jeito meu amigo! Descansar não adianta, quando a gente se levanta, tanta coisa aconteceu".

Outro momento forte do disco é a faixa Dois Animais Na Selva Suja Da Rua, do talentosíssimo Taiguara. A introdução traz um piano meio Ray Charles meio João Donato, cheio de swing e latinidade. A letra tem uma poesia solta, colorida e bem riponga mesmo. Ainda na vibe hippie do disco destaco a balada soul Gente Aberta, de Roberto e Erasmo Carlos. Agora, ninguém chora mais, de Jorge Ben (Benjor) traz um ótimo riff de guitarra, sinos e um coro marcante, que canta frases diferentes da música simultaneamente, até o encontro de todas as vozes na frase "Chora Mais". Um efeito genial que abrilhanta ainda mais o disco. O álbum ainda conta com a ótima contribuição dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle na contagiante "26 anos de vida Normal" gravada também por Marcos Valle, uma das melhores letras do disco, na minha opinião.

O ótimo cardápio musical do disco segue com o Funkão poderoso 'Mundo Deserto" gravada também por Elis Regina, a bíblica "Sodoma e Gomorra" e a rumba viajandona "Maria Joana" que fala sobre isso mesmo que você está pensando, o tal cigarrinho de artista que o tremendão curtia muito naquela época. Carlos, Erasmo ainda conta com um timaço de compositores e músicos como  o maestro Chiquinho de Moraes, Sérgio Dias, Dinho Leme e Liminha (Mutantes), Lanny Gordin e o também maestro e tropicalista Rogério Duprat, que assina os arranjos de "Maria Joana" e "26 anos de Vida Normal". Arthur Verocai assina os arranjos de "Ciça Cecília" que foi tema da novela global a próxima atração. Carlos, Erasmo é  definitivamente um discaço da melhor fase do tremendão. Na minha opinião, o melhor disco dele. Se você ainda não conhece, procure e aprecie sem moderação essa obra prima.

Texto de
Thiago Cardoso Sepriano


FAIXAS

01- De Noite Na Cama
02- Masculino, Feminino
03- É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo
04- Dois Animais Na Selva Suja Da Rua
05- Gente Aberta
06- Agora Ninguém Chora Mais
07- Sodoma E Gomorra
08- Mundo Deserto
09- Não Te Quero Santa
10- Ciça Cecília
11- Em Busca Das Canções Perdidas Nº2 
12- 26 Anos De Vida Normal
13- Maria Joana

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http://www.radio.uol.com.br/#/album/erasmo-carlos/carlos-erasmo/29494


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domingo, 4 de agosto de 2013

ROBERTO CARLOS (O INIMITÁVEL-1968)

Escrever qualquer coisa sobre Roberto Carlos é arriscar levar pedrada dos inimigos de sua obra, que não são poucos. Para alguns jovens  RC é um tiozinho brega, que aparece sempre no final do ano, vestido de branco ou azul e cantando Emoções. Para alguns intelectuais da antiga  RC é uma marionete do sistema, que só servia para desviar a atenção do povo da situação política do país na época, cantando sobre brotos e carrões enquanto estudantes eram presos, torturados e mortos. Ainda haviam aqueles que julgavam RC como deturpador da Cultura Brasileira, por usar guitarra elétrica no país do Samba e da Bossa. Toda essa baboseira preconceituosa não é maior que seu carisma e talento incontestável de hitmaker, autor de clássicos que até os maiores inimigos de sua obra saem assobiando num momento de distração. Não adianta negar, Roberto é um dos maiores, senão o maior artista da música pop do Brasil. Como diria o próprio "Não adianta nem tentar me esquecer." O Inimitável (1968) é o primeiro álbum lançado pelo Rei após sua saída do Programa Jovem Guarda, que ficaria mais um tempo no ar sob o comando de seus amigos e parceiros na atração, Erasmo Carlos e Wanderléa. O título do disco é uma espécie de resposta aos imitadores de RC na época, o mais conhecido deles era o conterrâneo do rei, Paulo Sérgio.

O Inimitável é o álbum de transição de RC. O disco faz uma conexão entre o Roberto Iê iê iê que todos conheciam da Jovem Guarda com o ídolo pop romântico que conhecemos hoje, e entre esses dois um RC negão, cheio de balanço e pegada. É nesse disco que Roberto dá inicio a um marcante romance em sua carreira com a soul music americana. Após esse disco Roberto ficaria até 2000 sem dar títulos aos seus álbuns. Nesse trabalho RC demonstra em todas as faixas uma notável evolução como cantor, explorando melhor seus recursos vocais, encaixando sua voz nas melodias com perfeição, tornando cantor e canções uma coisa só. E não vou mais deixar você tão só de Antonio Marcos, primeira faixa do disco, demonstra bem isso. A voz do Rei casa redondinho com a melodia e os arranjos, e RC vai crescendo junto com a música de maneira espetacular.

Ninguém vai tirar você de mim tem uma pegada empolgante. Letra simples e de romantismo ingênuo que até lembra um pouco o Roberto da Jovem Guarda, mas com uma pegada mais nervosa. Se você pensa,  gravada por Gal Costa, Elis Regina, Wilson Simonal, Maysa e uma porrada de gente é um funkão infezado no melhor estilo James Brown, com metais envenenados e uma interpretação agressiva e vigorosa do rei.  É Meu, É Meu, É Meu, momento mais ingênuo do disco, tem uma gaitinha bem simpática e lembra bastante o Roberto dos brotos e carrões. As baladas Quase fui lhe procurar e O Tempo vai apagar, são uma pequena mostra do estilo pop latino romântico que Roberto desenvolveria melhor na década seguinte, e por onde pautaria sua carreira. Eu te amo, te amo, te amo tem pegada marcante e explosiva, contando com uma iterpretação visceral do rei e metais em brasa, bem diferente das versões mornas de Marisa Monte e do próprio Roberto em seu Acústico MTV. A faixa ainda conta com um efeito especial no refrão, onde a voz de Roberto soa distante e abafada, reproduzindo um diálogo ao telefone com sua amada. Creio que seja o maior hit do disco, e o refrão ajudou bastante, claro!

A bela e queixosa As Canções que você fez pra mim, sucesso na voz de Maria Bethânia, fala sobre Dedé, percursionista do Rei  que namorava a cantora Martinha. Dedé confidenciou ao Rei que após o término de seu namoro, chorava muito quando ouvia as canções que Martinha havia feito para o casal. Não deu outra, Roberto transformou a fossa do amigo em letra e melodia. Na empolgante Ciúme de Você de Luiz Ayrão, Robertão flerta novamente com o soul. Não há dinheiro que pague é mais um funkão dos bons, com metaleira incendiária e uma bela linha de baixo do grande PC Barros. A última faixa é Madrasta  de Renato Teixeira e Beto Ruschell, que foi interpretada pelo Rei no IV Festival de Música Popular Brasileira em 1968 (Única canção defendida em festivais pelo cantor a ser incluída em LP). A canção de certa forma melancólica, suave e de harmonia complexa, mostra novamente a indiscutível evolução de Roberto como cantor, pois é uma música muito difícil de interpretar.  O ótimo disco, que viria a seguir, reforça ainda mais esse namorico de Roberto com o Soul Norte Americano  em faixas como As Curvas da Estrada de Santos, Não vou ficar e etc... mas tudo isso começou aqui. O Inimitável apresenta um Roberto diferenciado, mais agressivo, maduro musicalmente e cantando muito! Se você não conhece ou tem preconceito em relação a obra de RC, ouça as doze faixas desse grande disco com muita atenção, e me responda depois se o cara é F... ou não é.

Texto de
Thiago Cardoso Sepriano

FAIXAS

01- E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só
02- Ninguém Vai Tirar Você De Mim
03- Se Você Pensa
04- É Meu, É Meu, É Meu
05- Quase Fui Lhe Procurar
06- Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo
07- As Canções Que Você Fez Pra Mim
08- Nem Mesmo Você
09- Ciúme De Você
10- Não Há Dinheiro Que Pague
11- O Tempo Vai Apagar
12- Madrasta


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domingo, 28 de julho de 2013

TULIPA RUIZ (EFÊMERA-2010)

O AM vai deixar os clássicos um pouco de lado essa semana, para destacar um disco mais recente, que tem tudo para ser um futuro clássico. Estou falando do ensolarado "Efêmera- Tulipa Ruiz" . Lançado em Maio de 2010. Apesar do sucesso considerável, dois discos e críticas elogiosas de gente de peso, ao conversar com algumas pessoas sobre música, vi que muita gente ainda não conhece a menina flor. Vou tentar apresentá-la então. Tulipa Ruiz Chagas não é filha da poeta Alice Ruiz, como já esclareceu a própria Tulipa no ínicio da carreira. Sua herança artística veio do pai, o guitarrista Luiz Chagas, que tocava no Isca de Polícia, banda que acompanhava o genial Itamar Assumpção. Além do pai, Tulipa tem um irmão músico. Gustavo Ruiz já tocou com Mariana Aydar e Trash Pour 4 (Uma banda que por sinal, eu gosto muito.)

Gustavo assina a produção dos dois trabalhos da irmã, além de integrar a banda de Tulipa ao lado de seu pai Luiz. Tulipa nasceu em Santos, mas criou-se em São Lourenço- MG. Formada em comunicação e multimeios pela PUC-SP, atuou como Jornalista até 2008. É também ilustradora e já fez desenhos para livros infantis, agendas, cartazes de show e capas de discos, incluindo Efêmera, onde deixou registrado seu talento como desenhista. O encarte do disco conta com ilustrações de alguns amigos de Tulipa (Tiê, Karina Bhur, Romulo Fróes, Ná Ozzeti e etc.) Tropicalismo, Clube da Esquina e discretas pitadas de Vanguarda Paulista compõem o Pop Florestal de Tulipa (Gênero criado pela própria cantora, na dificuldade de definir seu estilo) Tulipa é assumidamente influenciada por cantoras como Joni Mitchell, Ná Ozetti, Baby do Brasil e Gal Costa.

É possível ouvir um pouco de cada uma delas em sua forma em sua forma de interpretar. Apesar das influências, a menina flor têm estilo e características que são só suas, muito importante num país de cantoras cada vez mais parecidas e de chatas modernosas, que fazem viagens de dificil assimilação para a maioria dos mortais. Efêmera apresenta um pop rock equilibrado, com letras simples, porém maduras e ricas de imagens instigantes, arranjos precisos e o canto macio, afinado e de agudos límpidos e bem dosados da menina flor. A faixa título "Efêmera" tem uma levada havaíana envolvente, e fala sobre momentos simples da vida, que são tão frágeis e impactantes ao mesmo tempo. O Rockinho Sessentista "Pontual" tem uma ótima linha de baixo. Nessa música, Tulipa aparece como a menina que tenta se organizar, mas chega sempre atrasada e nunca pega o filme do começo. 

"Pedrinho" é outro momento sessentista do disco. Segundo Tulipa, a música fala sobre dois homens, e isso é tudo que eu sei. Uma amizade colorida, talvez! (Mas isso é só uma interpretação pessoal. He He!) A faixa ainda conta com um coro formado por Leo Cavalcanti, Juliana Kehl, Mariana Aydar, Tatá Aeroplano e Tiê. Outro grande momento do disco é a fofísssima "Do Amor", que conta apenas com violão, guitarra e percussão na primeira parte, valorizando a voz bonita e agradável de Tullipa. Suaves pinceladas de teclado aparecem na segunda parte da canção. A música vai crescendo gradativamente até a entrada completa da banda ao final, onde Tulipa explora seus ótimos recursos vocais em agudos emocionantes.

Na urbana "Às vezes" (Música de Luiz Chagas) Tulipa dá um rolê pela Augusta. "A swingada, bucólica e tropicalista "A Ordem das árvores" é o momento mais Gal Costa do disco. "Da Menina" é o momento Rita Lee do álbum. Uma letra simples, que descreve com charme a transformação de uma menina em mulher. A deliciosa "Só sei dançar com você" fecha essa ótima seleção, deixando a gente com gostinho de quero mais. Efêmera é dançante, feminino, tropicalista, mineiro, paulista, romântico, engraçado. Enfim ! Qualquer coisa, menos efêmero. 

Texto de 
Thiago Cardoso Sepriano

FAIXAS

01- Efêmera
02- Pontual
03- Do Amor
04- Pedrinho
05- A Ordem Das Árvores
06- Sushi
07- Brocal Dourado
08- Aqui
09- Às Vezes
10- Da Menina
11- Só Sei Dançar Com Você

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domingo, 21 de julho de 2013

BEATLES (RUBBER SOUL-1965)

Esse disco é tão legal, que mais parece uma coletânea com todas aquelas músicas que você adora da sua banda favorita. Pois é! RUBBER SOUL (Lançado em Dezembro de 1965) é um desses discos que você ouve na íntegra três vezes ao dia sem enjoar. Essa obra prima dos BEATLES, produzida por GEORGE MARTIN, dá inicio de vez à fase mais madura, eclética e sofisticada dos Beatles, sutilmente anunciada em seu antecessor HELP! Nesse disco já estão bem nítidas todas as experimentações e utilização máxima dos recursos de gravação da época, que ficariam ainda mais evidentes em clássicos cultuados como "REVOLVER-1966" e o surrealista "SGT PEPPERS-1967" Eles tocaram para multidões histéricas, conheceram a maconha através de "BOB DYLAN", lançaram dois filmes e ainda inventaram o videoclipe. Antes desse álbum, a Betlemania já havia virado o mundo de cabeça pra baixo. Parecia que os Fab Four não tinham mais nada a fazer, além de se acomodar e gozar do sucesso conquistado, até ele acabar.

Mas a banda não se acomodou, lançando um disco artisticamente mais inquieto e inventivo que os anteriores. Provar que eram bons no que faziam eles já tinham provado, agora provariam que além de ótimos, seriam eternos. As quatro caras fechadas na foto da capa, demonstram que a banda estava se desvencilhando do rótulo de garotos comportados que rivalizavam com os Bad Boys dos Stones. Aliás, a história dessa capa é bem interessante. Após uma sessão de fotos no jardim da casa de John, o fotográfo, designer e produtor da capa "ROBERT FREEMAN" utilizava uma cartolina para fazer projeções das imagens fotografadas em um slide, deixando-as no tamanho da capa. Num breve momento de distração, a cartolina escorrega das mãos de Robert e uma das imagens aparece distorcida. A banda pira no efeito acidental, e escolhe imediatamente aquela imagem levemente distorcida para a capa, que pela primeira vez não traz o nome da banda, mas apenas o título do disco "RUBBER SOUL-ALMA DE BORRACHA"

Foram lançadas mais duas músicas num compacto, além das 14 do álbum. "DAY TRIPPER" e "WE CAN WORK IT OUT", gravaram também o que seria a primeira música instrumental dos Beatles "12 BAR ORIGINAL", que foi excluída. O lançamento Americano saiu com o mesmo nome do Britânico, porém com uma seleção de músicas diferente. O lançamento americano trazia duas faixas do anterior Help!, e o título em destaque na capa aperecia em outra cor.O disco abre com a quentíssima "DRIVE MY CAR", que tem uma ótima linha de baixo no estilo de "RESPECT DE OTIS REDDING", também gravada por "ARETHA FRANKLIN", sugestão de George que Paul acatou. Na balada folk indiana "NORWEGIAN WOOD" George toca cítara, instrumento que conheceu durante as filmagens de Help!. Além de adotar o instrumento para sua música, George assimilou a cultura indiana para sua vida também. John dizia que a letra dessa música era sobre uma pulada de cerca, na época em que ainda era casado com "CYNTHIA LENNON".

Outro grande momento do disco é a belíssima "MICHELLE", com trechos em francês, inspirada nas festas que John e Paul frequentavam na adolescência, onde a cultura francesa era marcante. Músicas como "IN MY LIFE" e NOWHERE MAN" demonstram a notável evolução e maturidade de John como letrista. Em "NOWHERE MAN", John aparece desconfortável e deslocado, apesar de todo o sucesso. Destaco aqui um trecho que expressa bem a densidadade emocional, agora presente nas letras de John: "Ele é um autêntico homem de lugar nenhum. Sentado em sua terra de lugar nenhum. Fazendo todos os seus planos inexistentes para ninguém." "RUBBER SOUL" é delicado, vibrante, musicalmente rico, lindo! Depois dele, Os Beatles e o mundo da música pop nunca mais foram os mesmos.


Texto  de
Thiago Cardoso Sepriano

FAIXAS

01- Drive My Car
02- Norwegian Wood (This Bird Has Flown)
03- You Won't See Me
04- Nowhere Man
05- Think for Yourself
06- The Word
07- Michelle
08- What Goes On
09- Girl
10- I'm Looking Through You
11- In My Life
12- Wait
13- If I Needed Someone
14- Run for Your Life


OUÇA NA ÍNTEGRA

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domingo, 14 de julho de 2013

RITA LEE E TUTTI FRUTTI (FRUTO PROIBIDO- 1975)

"Ele me foi entregue num papel azul, lindo, aquele quadradão fininho, com o peso ideal, verdadeiro passaporte da imaginação. O primeiro vinil a gente nunca esquece! Rasguei o papel sem piedade, como faço até hoje. E lá estava ela, plácida, num vestido claro de caimentos vários, sentada numa poltrona, cigarrilha na mão direita, sandália amarrada na perna e o pé pousado sobre um teclado.Com aquele olhar de flecha certeira, que já conhece bem seu alvo"

(Zélia Duncan- Sobre o disco Fruto Proibido)


Clássico da Música Brasileira e principalmente do Rock Nacional. "FRUTO PROIBIDO" gravado em Abril de 1975  no estúdio Eldorado em São Paulo, é o segundo trabalho da parceria "RITA LEE E TUTTI FRUTTI" e passa longe das cobeçudices psicodélico tropicalistas dos Mutantes, ainda presentes nos primeiros vôos solos de Rita "BUILD-UP- 1970 e HOJE É O PRIMEIRO DIA DO RESTO DA SUA VIDA- 1972". Esse disco aposta na pegada blues-hard rock das grandes bandas da época, flertando ainda com uma leve pegada soul na swingada "ESSE TAL DE ROQUE ENROW", uma das três parcerias de Rita Lee e Paulo Coelho presentes no disco. A guitarra de "LUIS SÉRGIO CARLINI" come solta em solos e riffs poderosos, como o riff da faixa "LUZ DEL FUEGO", onde Rita homenageia a bailarina e precursora do naturismo no Brasil  "DORA VIVACQUA- LUZ DEL FUEGO." 

Nesse disco, Rita já expressa de forma ainda discreta  suas ideias e viagens sobre o universo feminino, presentes de forma mais explícita em seus trabalhos posteriores. O disco ainda conta com a participação do saudoso e polivalente instrumentista "MANITO" (INCRÍVEIS/ SOM NOSSO DE CADA DIA) tocando Sax na faixa "ESSE TAL DE ROQUE ENROW", Flauta em "PIRATARIA" e Orgão Hammond em "O TOQUE". A última faixa "OVELHA NEGRA" tornou-se clássico da MPB, e presença obrigatória em rodinhas de violão. A balada folk encerra com mais um dos solos marcantes de Carlini, fechando o disco em grande estilo. "FRUTO PROIBIDO" foi eleito o 16º melhor disco brasileiro , segundo a lista dos 100 melhores discos da Música Brasileira da "REVISTA ROLLING STONE". Um clássico indispensável em qualquer coleção e uma ótima aula de Rock and Roll.

Texto de
Thiago Cardoso Sepriano

FAIXAS

01- Dançar pra não dançar
02- Agora só falta você
03- Cartão Postal
04- Fruto Proibido
05- Esse tal de Roque Enrow
06- O Toque
07- Pirataria
08- Luz del Fuego
09- Ovelha Negra

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http://www.4shared.com/rar/Lt51CjTF/_1975__fruto_proibido__ria_lee.html?

domingo, 7 de julho de 2013

APRESENTAÇÃO DO BLOG

Meu nome é Thiago Cardoso Sepriano, criador do blog "ASPIRINA MUSICAL". Não sou músico, jornalista nem crítico musical, apenas um apaixonado por música. Por não ser um profissional da área, me dou a liberdade de utilizar linguagem simples para falar sobre música.
Procuro sempre fazer uma boa pesquisa antes das postagens, mas como nada é perfeito, posso passar sem querer uma informação errada. Críticas construtivas e boas sugestões serão bem-vindas. Críticas negativas e hostis serão ignoradas na medida do possível, mas dependendo do dia, responderei à altura, pois respeito é bom e todo mundo gosta.

Esse é o Blog "ASPIRINA MUSICAL"

SEJAM BEM-VINDOS !