“Considero o Carlos, Erasmo minha estréia na música adulta, depois do prazeroso Bbea-a-bá da Jovem Guarda. Vários rumos musicais, incontáveis tendências melódicas e novos amigos músicos seriam um processo natural para minha evolução. O repertório foi intuitivo e os sons foram surgindo, dependendo do clima que cada canção sugerisse. Esse disco consolidou minha maturidade e me projetou para um mundo real, onde o sonho acordado ainda existia.”
(Erasmo Carlos- Sobre o disco Carlos, Erasmo)
Com o término da Jovem Guarda muitos artistas ficaram orfãos e inseguros, com exceção de Roberto Carlos, que após um breve namorico com a Soul Music, encontrou-se na vida como o maior ídolo da música popular romântica do Brasil. Enquanto isso, outros ídolos da época apostavam em novas possibilidades musicais, fazendo um caminho mais alternativo. Artistas como Wanderléa, Eduardo Araújo, Vanusa e Erasmo Carlos deixaram de lado o iê iê iê bonitinho e bem comportado para se aventurar em outras praias musicais. Roberto adotou um estilo sério e adulto para interpretar suas canções, caindo pra sempre nos braços da fama. Enquanto isso, o tremendão caía nos braços do sexo, das drogas e do rock and roll.
O ótimo Erasmo Carlos e os tremendões (1970) já dava sinais dessa nova fase de Erasmo, uma pequena mostra do que o Tremendão apresentaria em seu próximo trabalho. Carlos, Erasmo (1971) é o disco Contracultura, Bicho Grilo, Samba Soul. Tropicalista e o diabo a quatro do tremendão. Canções existencialistas e melancólicas convivem pacificamente com canções ensolaradas e ripongas. Carlos, Erasmo é um disco 100% Erasmo Carlos, com todas as suas inquietações e contradições. A vírgula servia para enfatizar quem era o Carlos em questão. A foto da capa traz um Erasmo largadão, com chapéu riponga e camiseta sem mangas.
Carlos, Erasmo decreta definitivamente o fim da inocência da Jovem Guarda na vida de Erasmo, um grito de liberdade mesmo. O disco abre com una faixa no melhor estilo Simonal. De noite na Cama, de Caetano Veloso, a música tem um clima de reunião de boteco sexta á noite, com um coro contagiante, riff de guitarra swingado, cuíca e berimbau. A balada Masculino Feminino traz um dueto com a cantora Marisa Fossa, e na minha opinião é o momento menos empolgante do disco, mesmo assim é uma boa canção. É Preciso dar um jeito meu amigo é uma balada soul bem pedrada da dupla Roberto e Erasmo, a letra é bem deprê, mas tem um refrão forte e contestador: "É preciso dar um jeito meu amigo! Descansar não adianta, quando a gente se levanta, tanta coisa aconteceu".
Outro momento forte do disco é a faixa Dois Animais Na Selva Suja Da Rua, do talentosíssimo Taiguara. A introdução traz um piano meio Ray Charles meio João Donato, cheio de swing e latinidade. A letra tem uma poesia solta, colorida e bem riponga mesmo. Ainda na vibe hippie do disco destaco a balada soul Gente Aberta, de Roberto e Erasmo Carlos. Agora, ninguém chora mais, de Jorge Ben (Benjor) traz um ótimo riff de guitarra, sinos e um coro marcante, que canta frases diferentes da música simultaneamente, até o encontro de todas as vozes na frase "Chora Mais". Um efeito genial que abrilhanta ainda mais o disco. O álbum ainda conta com a ótima contribuição dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle na contagiante "26 anos de vida Normal" gravada também por Marcos Valle, uma das melhores letras do disco, na minha opinião.
O ótimo cardápio musical do disco segue com o Funkão poderoso 'Mundo Deserto" gravada também por Elis Regina, a bíblica "Sodoma e Gomorra" e a rumba viajandona "Maria Joana" que fala sobre isso mesmo que você está pensando, o tal cigarrinho de artista que o tremendão curtia muito naquela época. Carlos, Erasmo ainda conta com um timaço de compositores e músicos como o maestro Chiquinho de Moraes, Sérgio Dias, Dinho Leme e Liminha (Mutantes), Lanny Gordin e o também maestro e tropicalista Rogério Duprat, que assina os arranjos de "Maria Joana" e "26 anos de Vida Normal". Arthur Verocai assina os arranjos de "Ciça Cecília" que foi tema da novela global a próxima atração. Carlos, Erasmo é definitivamente um discaço da melhor fase do tremendão. Na minha opinião, o melhor disco dele. Se você ainda não conhece, procure e aprecie sem moderação essa obra prima.
Texto de
Thiago Cardoso Sepriano
FAIXAS
01- De Noite Na Cama
02- Masculino, Feminino
03- É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo
04- Dois Animais Na Selva Suja Da Rua
05- Gente Aberta
06- Agora Ninguém Chora Mais
07- Sodoma E Gomorra
08- Mundo Deserto
09- Não Te Quero Santa
10- Ciça Cecília
11- Em Busca Das Canções Perdidas Nº2
12- 26 Anos De Vida Normal
13- Maria Joana
OUÇA NA ÍNTEGRA
http://www.radio.uol.com.br/#/album/erasmo-carlos/carlos-erasmo/29494
BAIXE O DISCO
http://www.4shared.com/get/5W12B1DE/E_C_-_Erasmo_Carlos_-_1971_-_C.html
(Erasmo Carlos- Sobre o disco Carlos, Erasmo)
Com o término da Jovem Guarda muitos artistas ficaram orfãos e inseguros, com exceção de Roberto Carlos, que após um breve namorico com a Soul Music, encontrou-se na vida como o maior ídolo da música popular romântica do Brasil. Enquanto isso, outros ídolos da época apostavam em novas possibilidades musicais, fazendo um caminho mais alternativo. Artistas como Wanderléa, Eduardo Araújo, Vanusa e Erasmo Carlos deixaram de lado o iê iê iê bonitinho e bem comportado para se aventurar em outras praias musicais. Roberto adotou um estilo sério e adulto para interpretar suas canções, caindo pra sempre nos braços da fama. Enquanto isso, o tremendão caía nos braços do sexo, das drogas e do rock and roll.
O ótimo Erasmo Carlos e os tremendões (1970) já dava sinais dessa nova fase de Erasmo, uma pequena mostra do que o Tremendão apresentaria em seu próximo trabalho. Carlos, Erasmo (1971) é o disco Contracultura, Bicho Grilo, Samba Soul. Tropicalista e o diabo a quatro do tremendão. Canções existencialistas e melancólicas convivem pacificamente com canções ensolaradas e ripongas. Carlos, Erasmo é um disco 100% Erasmo Carlos, com todas as suas inquietações e contradições. A vírgula servia para enfatizar quem era o Carlos em questão. A foto da capa traz um Erasmo largadão, com chapéu riponga e camiseta sem mangas.
Carlos, Erasmo decreta definitivamente o fim da inocência da Jovem Guarda na vida de Erasmo, um grito de liberdade mesmo. O disco abre com una faixa no melhor estilo Simonal. De noite na Cama, de Caetano Veloso, a música tem um clima de reunião de boteco sexta á noite, com um coro contagiante, riff de guitarra swingado, cuíca e berimbau. A balada Masculino Feminino traz um dueto com a cantora Marisa Fossa, e na minha opinião é o momento menos empolgante do disco, mesmo assim é uma boa canção. É Preciso dar um jeito meu amigo é uma balada soul bem pedrada da dupla Roberto e Erasmo, a letra é bem deprê, mas tem um refrão forte e contestador: "É preciso dar um jeito meu amigo! Descansar não adianta, quando a gente se levanta, tanta coisa aconteceu".
Outro momento forte do disco é a faixa Dois Animais Na Selva Suja Da Rua, do talentosíssimo Taiguara. A introdução traz um piano meio Ray Charles meio João Donato, cheio de swing e latinidade. A letra tem uma poesia solta, colorida e bem riponga mesmo. Ainda na vibe hippie do disco destaco a balada soul Gente Aberta, de Roberto e Erasmo Carlos. Agora, ninguém chora mais, de Jorge Ben (Benjor) traz um ótimo riff de guitarra, sinos e um coro marcante, que canta frases diferentes da música simultaneamente, até o encontro de todas as vozes na frase "Chora Mais". Um efeito genial que abrilhanta ainda mais o disco. O álbum ainda conta com a ótima contribuição dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle na contagiante "26 anos de vida Normal" gravada também por Marcos Valle, uma das melhores letras do disco, na minha opinião.
O ótimo cardápio musical do disco segue com o Funkão poderoso 'Mundo Deserto" gravada também por Elis Regina, a bíblica "Sodoma e Gomorra" e a rumba viajandona "Maria Joana" que fala sobre isso mesmo que você está pensando, o tal cigarrinho de artista que o tremendão curtia muito naquela época. Carlos, Erasmo ainda conta com um timaço de compositores e músicos como o maestro Chiquinho de Moraes, Sérgio Dias, Dinho Leme e Liminha (Mutantes), Lanny Gordin e o também maestro e tropicalista Rogério Duprat, que assina os arranjos de "Maria Joana" e "26 anos de Vida Normal". Arthur Verocai assina os arranjos de "Ciça Cecília" que foi tema da novela global a próxima atração. Carlos, Erasmo é definitivamente um discaço da melhor fase do tremendão. Na minha opinião, o melhor disco dele. Se você ainda não conhece, procure e aprecie sem moderação essa obra prima.
Texto de
Thiago Cardoso Sepriano
FAIXAS
01- De Noite Na Cama
02- Masculino, Feminino
03- É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo
04- Dois Animais Na Selva Suja Da Rua
05- Gente Aberta
06- Agora Ninguém Chora Mais
07- Sodoma E Gomorra
08- Mundo Deserto
09- Não Te Quero Santa
10- Ciça Cecília
11- Em Busca Das Canções Perdidas Nº2
12- 26 Anos De Vida Normal
13- Maria Joana
OUÇA NA ÍNTEGRA
http://www.radio.uol.com.br/#/album/erasmo-carlos/carlos-erasmo/29494
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