Escrever qualquer coisa sobre Roberto Carlos é arriscar levar pedrada dos inimigos de sua obra, que não são poucos. Para alguns jovens RC é um tiozinho brega, que aparece sempre no final do ano, vestido de branco ou azul e cantando Emoções. Para alguns intelectuais da antiga RC é uma marionete do sistema, que só servia para desviar a atenção do povo da situação política do país na época, cantando sobre brotos e carrões enquanto estudantes eram presos, torturados e mortos. Ainda haviam aqueles que julgavam RC como deturpador da Cultura Brasileira, por usar guitarra elétrica no país do Samba e da Bossa. Toda essa baboseira preconceituosa não é maior que seu carisma e talento incontestável de hitmaker, autor de clássicos que até os maiores inimigos de sua obra saem assobiando num momento de distração. Não adianta negar, Roberto é um dos maiores, senão o maior artista da música pop do Brasil. Como diria o próprio "Não adianta nem tentar me esquecer." O Inimitável (1968) é o primeiro álbum lançado pelo Rei após sua saída do Programa Jovem Guarda, que ficaria mais um tempo no ar sob o comando de seus amigos e parceiros na atração, Erasmo Carlos e Wanderléa. O título do disco é uma espécie de resposta aos imitadores de RC na época, o mais conhecido deles era o conterrâneo do rei, Paulo Sérgio.
O Inimitável é o álbum de transição de RC. O disco faz uma conexão entre o Roberto Iê iê iê que todos conheciam da Jovem Guarda com o ídolo pop romântico que conhecemos hoje, e entre esses dois um RC negão, cheio de balanço e pegada. É nesse disco que Roberto dá inicio a um marcante romance em sua carreira com a soul music americana. Após esse disco Roberto ficaria até 2000 sem dar títulos aos seus álbuns. Nesse trabalho RC demonstra em todas as faixas uma notável evolução como cantor, explorando melhor seus recursos vocais, encaixando sua voz nas melodias com perfeição, tornando cantor e canções uma coisa só. E não vou mais deixar você tão só de Antonio Marcos, primeira faixa do disco, demonstra bem isso. A voz do Rei casa redondinho com a melodia e os arranjos, e RC vai crescendo junto com a música de maneira espetacular.
Ninguém vai tirar você de mim tem uma pegada empolgante. Letra simples e de romantismo ingênuo que até lembra um pouco o Roberto da Jovem Guarda, mas com uma pegada mais nervosa. Se você pensa, gravada por Gal Costa, Elis Regina, Wilson Simonal, Maysa e uma porrada de gente é um funkão infezado no melhor estilo James Brown, com metais envenenados e uma interpretação agressiva e vigorosa do rei. É Meu, É Meu, É Meu, momento mais ingênuo do disco, tem uma gaitinha bem simpática e lembra bastante o Roberto dos brotos e carrões. As baladas Quase fui lhe procurar e O Tempo vai apagar, são uma pequena mostra do estilo pop latino romântico que Roberto desenvolveria melhor na década seguinte, e por onde pautaria sua carreira. Eu te amo, te amo, te amo tem pegada marcante e explosiva, contando com uma iterpretação visceral do rei e metais em brasa, bem diferente das versões mornas de Marisa Monte e do próprio Roberto em seu Acústico MTV. A faixa ainda conta com um efeito especial no refrão, onde a voz de Roberto soa distante e abafada, reproduzindo um diálogo ao telefone com sua amada. Creio que seja o maior hit do disco, e o refrão ajudou bastante, claro!
A bela e queixosa As Canções que você fez pra mim, sucesso na voz de Maria Bethânia, fala sobre Dedé, percursionista do Rei que namorava a cantora Martinha. Dedé confidenciou ao Rei que após o término de seu namoro, chorava muito quando ouvia as canções que Martinha havia feito para o casal. Não deu outra, Roberto transformou a fossa do amigo em letra e melodia. Na empolgante Ciúme de Você de Luiz Ayrão, Robertão flerta novamente com o soul. Não há dinheiro que pague é mais um funkão dos bons, com metaleira incendiária e uma bela linha de baixo do grande PC Barros. A última faixa é Madrasta de Renato Teixeira e Beto Ruschell, que foi interpretada pelo Rei no IV Festival de Música Popular Brasileira em 1968 (Única canção defendida em festivais pelo cantor a ser incluída em LP). A canção de certa forma melancólica, suave e de harmonia complexa, mostra novamente a indiscutível evolução de Roberto como cantor, pois é uma música muito difícil de interpretar. O ótimo disco, que viria a seguir, reforça ainda mais esse namorico de Roberto com o Soul Norte Americano em faixas como As Curvas da Estrada de Santos, Não vou ficar e etc... mas tudo isso começou aqui. O Inimitável apresenta um Roberto diferenciado, mais agressivo, maduro musicalmente e cantando muito! Se você não conhece ou tem preconceito em relação a obra de RC, ouça as doze faixas desse grande disco com muita atenção, e me responda depois se o cara é F... ou não é.
Texto de
Thiago Cardoso Sepriano
FAIXAS
01- E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só
02- Ninguém Vai Tirar Você De Mim
03- Se Você Pensa
04- É Meu, É Meu, É Meu
05- Quase Fui Lhe Procurar
06- Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo
07- As Canções Que Você Fez Pra Mim
08- Nem Mesmo Você
09- Ciúme De Você
10- Não Há Dinheiro Que Pague
11- O Tempo Vai Apagar
12- Madrasta
OUÇA NA ÍNTEGRA
BAIXE O DISCO
http://www.4shared.com/get/LqX28i-w/RC_-_1968_-_O_inimitvel_-_wwws.html
O Inimitável é o álbum de transição de RC. O disco faz uma conexão entre o Roberto Iê iê iê que todos conheciam da Jovem Guarda com o ídolo pop romântico que conhecemos hoje, e entre esses dois um RC negão, cheio de balanço e pegada. É nesse disco que Roberto dá inicio a um marcante romance em sua carreira com a soul music americana. Após esse disco Roberto ficaria até 2000 sem dar títulos aos seus álbuns. Nesse trabalho RC demonstra em todas as faixas uma notável evolução como cantor, explorando melhor seus recursos vocais, encaixando sua voz nas melodias com perfeição, tornando cantor e canções uma coisa só. E não vou mais deixar você tão só de Antonio Marcos, primeira faixa do disco, demonstra bem isso. A voz do Rei casa redondinho com a melodia e os arranjos, e RC vai crescendo junto com a música de maneira espetacular.
Ninguém vai tirar você de mim tem uma pegada empolgante. Letra simples e de romantismo ingênuo que até lembra um pouco o Roberto da Jovem Guarda, mas com uma pegada mais nervosa. Se você pensa, gravada por Gal Costa, Elis Regina, Wilson Simonal, Maysa e uma porrada de gente é um funkão infezado no melhor estilo James Brown, com metais envenenados e uma interpretação agressiva e vigorosa do rei. É Meu, É Meu, É Meu, momento mais ingênuo do disco, tem uma gaitinha bem simpática e lembra bastante o Roberto dos brotos e carrões. As baladas Quase fui lhe procurar e O Tempo vai apagar, são uma pequena mostra do estilo pop latino romântico que Roberto desenvolveria melhor na década seguinte, e por onde pautaria sua carreira. Eu te amo, te amo, te amo tem pegada marcante e explosiva, contando com uma iterpretação visceral do rei e metais em brasa, bem diferente das versões mornas de Marisa Monte e do próprio Roberto em seu Acústico MTV. A faixa ainda conta com um efeito especial no refrão, onde a voz de Roberto soa distante e abafada, reproduzindo um diálogo ao telefone com sua amada. Creio que seja o maior hit do disco, e o refrão ajudou bastante, claro!
A bela e queixosa As Canções que você fez pra mim, sucesso na voz de Maria Bethânia, fala sobre Dedé, percursionista do Rei que namorava a cantora Martinha. Dedé confidenciou ao Rei que após o término de seu namoro, chorava muito quando ouvia as canções que Martinha havia feito para o casal. Não deu outra, Roberto transformou a fossa do amigo em letra e melodia. Na empolgante Ciúme de Você de Luiz Ayrão, Robertão flerta novamente com o soul. Não há dinheiro que pague é mais um funkão dos bons, com metaleira incendiária e uma bela linha de baixo do grande PC Barros. A última faixa é Madrasta de Renato Teixeira e Beto Ruschell, que foi interpretada pelo Rei no IV Festival de Música Popular Brasileira em 1968 (Única canção defendida em festivais pelo cantor a ser incluída em LP). A canção de certa forma melancólica, suave e de harmonia complexa, mostra novamente a indiscutível evolução de Roberto como cantor, pois é uma música muito difícil de interpretar. O ótimo disco, que viria a seguir, reforça ainda mais esse namorico de Roberto com o Soul Norte Americano em faixas como As Curvas da Estrada de Santos, Não vou ficar e etc... mas tudo isso começou aqui. O Inimitável apresenta um Roberto diferenciado, mais agressivo, maduro musicalmente e cantando muito! Se você não conhece ou tem preconceito em relação a obra de RC, ouça as doze faixas desse grande disco com muita atenção, e me responda depois se o cara é F... ou não é.
Texto de
Thiago Cardoso Sepriano
FAIXAS
01- E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só
02- Ninguém Vai Tirar Você De Mim
03- Se Você Pensa
04- É Meu, É Meu, É Meu
05- Quase Fui Lhe Procurar
06- Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo
07- As Canções Que Você Fez Pra Mim
08- Nem Mesmo Você
09- Ciúme De Você
10- Não Há Dinheiro Que Pague
11- O Tempo Vai Apagar
12- Madrasta
OUÇA NA ÍNTEGRA
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Realmente existe muito preconceito (besta!) por parte de alguns esquerdopatas, de ontem e de hoje também, que queriam um Roberto Carlos panfletário, flertando com o marxismo! Algo impensável para quem curte o Rei! ...Mandou ver hein, Thiago!
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